Sinal

Por Indhiara Souza

Sinal

São sete meses de rascunhos acumulados e uma pontinha de esperança de que alguma boa frase seja usada, num raciocínio qualquer. Faço notas mentais adiando nosso encontro, todos os dias. E espero em vão que as horas parem de passar, pra eu poder reorganizar as ideias. Quem sabe assim eu use um ou outro parágrafo ou me livre dos rascunhos todos, tomando coragem de escrever do zero o necessário para lembrar depois o que é essencial.

(Eu perdi o hábito de pontuar as frases, de concluir as preces, de terminar de ler. Também perdi o fio da meada, talvez a força, e alguma vontade de melhorar as coisas).

Prometi a mim que, se naquele fim de semana fizesse sol, eu iria sair comigo e te encontrar. E iria levar todos os rabiscos e ensaios de rabiscos e linhas e guardanapos de papel que eu guardei, na expectativa de que você fizesse algo bom com tudo isso, porque é encantadora a sua mania de recomeçar. De escrever melhor que todos nós as histórias que queremos contar, as histórias que gostamos de ler.

Há outra coisa em você que ultrapassa todos os meus bons sentimentos e boas sensações e lágrimas de alegria: o tempo. Queria olhar na palma da sua mão o relógio do mundo se movendo, pequeno e insignificante, escondido em quem segura a eternidade, como se os minutos que passam aqui não fossem grande coisa. Talvez não sejam e eu tenha que aprender a não ansiar o que não veio nem lamentar o que passou, mas o presente ainda é desesperador, desculpa.

Mas como eu estava dizendo, agendei num pensamento vago te encontrar caso o céu brilhasse azul, mas não foi assim e eu fiquei em casa cultivando os ressentimentos que já deveria ter destruído.

Acontece que a minha memória falha quando eu mais preciso (é por isso que eu escrevo: pra lembrar) e eu precisava me recordar de que a chuva é e sempre foi o nosso sinal. A gente tinha combinado de que quando chovesse eu iria me lembrar das promessas. Do cuidado. E do renovo. Mais do que isso, a gente tinha acertado que, em todas as vezes que chovesse chuva fina ou tempestade, eu iria sorrir, certa de você por perto.

Escrevo todas essas coisas durante o meu trajeto diário vendo as nuvens se formarem ao longo da cidade, pensando aqui que vou esperar chover de novo para colocar no varal meus rascunhos velhos. Deixa ventar, aguar, chover. No próximo temporal, eu vou entender que, apesar da calma que você tem, carregando o tempo que me desespera, é sua vontade urgente me encontrar também.

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Indhiara SouzaIndhiara Souza é jornalista, produtora e repórter do programa SEMPRE FELIZ, da REDE SUPER
indhiara.souza@redesuper.com.br
@indh

 


3 Comentários

  1. ALAN

    PERDÃO

  2. Lindo, amei.

    Lindo, amei

  3. Talles Henrique

    A PAZ DO SENHOR,EU ME CHAMO TALLES,MORO NA CIDADE DE MONTES CLAROS,NORTE DE MINAS.VI ATRAVÉS DESTE SITE TEXTOS LIVRES,E EU GOSTARIA DE MANDAR UM TEXTO LIVRE PARA SER COMPARTILHADO NESTE SITE .SE POSSÍVEL,AGUARDO RESPOSTA.
    DEUS ABENÇOE

 

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