Quando um missionário “volta pra casa”

 

viajar

(Fonte: Freepik)
Designed by Freepik

Quando um missionário vai para o campo pela primeira vez, é bem claro onde é sua casa, seu lar. É o lugar de onde você veio, de onde você partiu. É o lugar onde você cresceu, foi à escola, a igreja em que cresceu. Onde você formou seus relacionamentos mais importantes.

Porém, depois de viver um tempo transcultural, uma coisa estranha começa a acontecer.

Seu país natal, que você chama “lar”, já não parece tão lar. Quando você “volta para casa”, algumas das pessoas e lugares ainda são os mesmos, mas a vida continuou na sua ausência. Quando você tira uma licença para “um tempo em casa”, você não consegue continuar de onde parou. Você é uma visita, um estrangeiro. Um convidado sem um papel definido. Seus amigos mais próximos fizeram amizades próximas. Metade das pessoas na sua igreja conhecem seu nome da lista de oração, mas não conhecem você e sua família. Uma tecnologia ou gíria da moda, alguma tendência cultural, tudo tornou-se comum, menos para você, que não estava lá quando surgiu tudo isso.

No campo missionário em um país estrangeiro, você diz coisas como “No meu país…”, mas sente que as pessoas ali não entendem o que você quer dizer. Você pensa, se consolando: “As pessoas lá em casa entenderiam”.

Estranhamente, aquelas pessoas que você achou que entenderiam, bem, elas não entendem. Agora você está “em casa”, com diversas histórias e experiências do lugar que se tornou seu segundo lar. Você diz coisas como: “Lá no país onde moro (ou morei)…”. Mas, assim como na primeira experiência, qualquer história que você conte é difícil para as pessoas entenderem. As coisas que você mais gosta e conta do país onde serve ou serviu são recebidas com um olhar de estranhamento. Assim que você termina a história, as pessoas voltam a falar do Campeonato Brasileiro, da crise política ou de alguma coisa sobre a qual você não faz ideia ou não pensou nos últimos anos. Isso não quer dizer que eles não se importem ou não gostem de você. Eles gostam. Eles estão felizes de te ter “de volta em casa”. Mas essas pessoas “de casa” simplesmente não viveram as mesmas coisas que você, assim como você não viveu as mesmas experiências que elas.

No tempo de ficar um pouco em casa, as pessoas perguntam a você: “Não é ótimo estar de volta!?”. E você pensa: “É, um pouco”. Agora que você comeu um pouco das suas comidas preferidas e viu alguns de seus velhos amigos, parece que existem poucas razões para você ficar ali. De repente, você começa a sentir falta de todas aquelas coisas ‘estranhas’ do país onde estava vivendo, e percebe o quanto gosta delas.

Sua casa não é mais seu lar. E é triste, pois aquele lugar no campo missionário também nunca será seu lar totalmente. Os dois lugares são seu lar, e nenhum dos dois é seu lar, ao mesmo tempo.

Missionários estão, para sempre, entre dois mundos: eles não conseguem se identificar com as pessoas que deixou, em nenhum dos dois países.

Lar é em qualquer lugar.
Lar é em nenhum lugar.

Mas tudo bem, você não está sozinho nessa.

“Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria. Se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou-lhes uma cidade.” — Hebreus 11:13-16

Enquanto vivermos aqui, sempre nos sentiremos um pouco deslocados. Missionários e pessoas vivendo longe de seu país de origem apenas sentem isso com mais frequência. Porém, um dia, todos aqueles que creem em nosso Senhor Jesus Cristo estarão em casa novamente.

_____

Extraído do site da Mais


 

Please log in to vote

You need to log in to vote. If you already had an account, you may log in here

Alternatively, if you do not have an account yet you can create one here.