o ponto e a eternidade

Por Ruthiely Saldanha

o ponto e a eternidade

Queria que o tempo parasse agora. Neste instante em que está tudo tão escuro e o barulho mais sensível pode ser ouvido através das muitas gotas de chuva que caem do céu lá fora. No momento em que não é amanhã, nem ontem. Agora. Em que a mente se prende ao observar as nuvens carregadas, enquanto troveja e alguns raios iluminam a escuridão. Seria a eternidade assim? Um momento em que o desejo é ficar pra sempre nele?

Um palpite bem modesto para definir eternidade seria aquele momento em que tudo que anseio, preciso, espero estará plenamente resolvido dentro de mim. Quando me sentir satisfeita ao encontrar o que a minha alma procura desde o meu nascimento. Ela sempre está procurando, silenciosamente ou ruidosamente, respostas, alívio, paz, razão e alegria. Ela, também, sempre procura pelo mal e, quando não se satisfaz, precisa de algo superior e volta a buscar incansavelmente respostas. Para além desse tempo, dessa época, desse mês que insiste em ser difícil há três anos.

C.S. Lewis, o escritor irlandês com quem passo boas horas de leitura, disse que o presente é o ponto no qual o tempo toca a eternidade. Fico martelando nessa frase, desde a primeira vez que a li, e em outras que ele escreveu, e continuo a achar tão difícil entender que Deus não está no tempo… Que está acima de todos os tempos que existem no nosso mundo criado por Ele mesmo… É complicado tentar explicar o que seria a eternidade vivendo aqui, onde tudo é tão passageiro e frágil. Onde tudo acontece tão rápido e, às vezes, sem nenhuma explicação. Onde vivemos tentando suprir os desejos, planejando sonhos e sobrevivendo à realidade.

Talvez a eternidade comece, de fato, quando todos os anseios forem satisfeitos. E não consigo imaginar nada que contenha monotonia, mesmo se a ideia fosse ficar por milhares de anos ou um período constante olhando pra um único lugar. Se nesse lugar todas as respostas pudessem ser dadas e toda busca cessasse num olhar, num sentir e fim – das perguntas e o começo de uma (nova) vida plena e completa. Sem dúvidas, sem medos, sem anseios e preocupações. Sem nada que importasse além daquele instante e, ele, o instante, bastasse em si só.

Quero acreditar que o presente, que toca a eternidade, é agora, enquanto a chuva continua caindo, as misericórdias do próximo dia já estão sendo renovadas e o desejo de parar no tempo continua aqui dentro. Tudo isso, agora, nesse ponto chamado de presente em que existem todos os outros tempos.

“Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil”.
C.S.Lewis

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Ruthiely SaldanhaRuthiely Saldanha é jornalista
@ruthielys


 

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