[Turquia] Pastor preso sob acusações sem prova se diz inocente

Bandeira da TurquiaO pastor Orhan Picaklar, 42, da Igreja Ágape, foi preso na província do Mar Negro de Samsun, na Turquia, acusado de envolvimento com prostituição e tráfico humano de refugiados. A prisão ocorreu no último dia 11 e o pastor ficou detido por dois dias. O processo criminal teria sido baseado em uma queixa por telefone feita por uma pessoa não identificada.

Na opinião de um porta-voz da Aliança de Igrejas Protestantes na Turquia, trata-se de “uma trama deliberada” a prisão de Picaklar. Esse mesmo porta-voz disse que tem sido assediado por anos pela mídia local e autoridades da cidade que se posicionam abertamente opostos à existência da igreja.

Enquanto esteve na prisão com outros sete detidos, Picaklar soube que todos haviam sido apontados como suspeitos na mesma “operação de tráfico humano”. No entanto, o pastor afirma que nunca viu qualquer um daqueles homens antes.

Uma mulher iraniana de 19 anos foi citada pelo Diário Nacional Milliyet como uma testemunha contra o pastor preso. A jovem alegou que Picaklar havia proposto um relacionamento com ela em troca dos pagamentos de aluguel que ela estaria devendo à igreja. Ela afirma que, quando recusou a proposta, foi obrigada a morar com outra mulher, onde o passaporte dela, que já havia expirado, foi confiscado e ela foi forçada a se prostituir.

Após ser solto, o pastor confirmou conhecer a jovem, que havia dito ser cristã e que tinha ido estudar em Samsun. Como ela não tinha lugar para ficar, Picaklar ofereceu a ela uma estadia de 25 dias nas instalações da igreja que, frequentemente, são emprestadas a refugiados necessitados por um curto prazo. Porém, o pastor diz tê-la encontrado, há cerca de 10 semanas, em uma “situação comprometedora” e que, acompanhado por um oficial da polícia, ele pediu à moça que se retirasse das instalações da igreja. “Nós descobrimos que essa mulher e os demais estavam, aparentemente, envolvidos em prostituição e haviam sido deportados sem nunca terem sido levados à sede da polícia”, afirma.

O pastor acredita que o escândalo não passa de uma tentativa de desacreditá-lo publicamente. “O propósito foi unicamente criar desrespeito em relação à igreja. Nós estamos atônitos com isso. Por que estão nos atacando dessa maneira?”, questiona. Apesar disso, ele afirma que não vai abandonar o ministério por causa disso. “Hoje, eu permanecerei aqui de maneira mais determinada. Eu não estou envergonhado, porque eu não fiz nada de errado. Estou simplesmente ajudando pessoas,” ele explica, dizendo que a igreja ajuda cerca de 500 a mil refugiados.

Apesar de liberado da custódia, Picaklar foi ordenado pelo juiz a se apresentar na sede da polícia toda segunda-feira até que uma acusação formal seja apresentada e os processos judiciais comecem. O pastor e a congregação liderada por ele têm sido acusados repetidamente de “atividades missionárias ilegais” por canais de TV e jornais locais, que alegam que a igreja usava de suborno e prostituição para enganar jovens e convertê-los ao cristianismo. O próprio prédio da igreja sofreu vandalismo e teve as janelas apedrejadas várias vezes. O pastor continua a receber ameaças de morte por telefone e internet e foi sequestrado uma vez por homens que se fingiram de policiais à paisana. Ele tem estado sob proteção policial pelos últimos cinco anos, desde que um suspeito de planejar matá-lo foi apanhado pelas autoridades policiais.

Ex-muçulmano, convertido ao cristianismo há 21 anos, Orhan Picaklar tem pastoreado a Igreja Ágape de Samsun desde 2003. À congregação, foi concedido status de “associação” formal em 2005. Novas congregações cristãs na Turquia são proibidas por lei.

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Extraído de: Portas Abertas
Adaptação: Redação REDE SUPER

 


 

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