“Temos que parar de fingir estar cegos para o que acontece na Síria”, adverte chefe de Comissão da ONU

Nações Unidas

Presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Sergio Paulo Pinheiro (Foto: ONU/Jean-Marc Ferré)

Presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Sergio Paulo Pinheiro (Foto: ONU/Jean-Marc Ferré)

“A comunidade internacional não pode fingir estar cega para o ciclo que tem permitido prevalecer por tantos anos”, afirmou o presidente da Comissão de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) para os crimes na Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro ao Conselho de Direitos Humanos da ONU no início desta semana. O representante usou a ocasião para alertar sobre a urgência de um “total e efetivo apoio ao Plano ‘de Mistura’”, projeto apresentado no mês de julho pelo enviado especial da ONU para a Síria, Staffan De Mistura, que visa à transição política no país.

O plano prevê uma série de consultas e discussões com as diferentes partes da Síria em quatro grupos temáticos de trabalho: segurança e proteção para todos; questões políticas e legais; questão militar, de segurança e contraterrorismo; e continuidade dos serviços públicos e reconstrução e desenvolvimento.

Para Pinheiro, os países não podem continuar declarando apoio a um acordo político quando estão “armando combatentes, falhando na arrecadação de fundos para serviços humanitários e ficando atônitos diante da crise de refugiados”. O representante da ONU também lembra que a crise de migração não é novidade no Líbano, Turquia, Jordânia e Iraque.

O presidente da Comissão também citou relatório publicado em 3 de setembro com as atualizações sobre as violações cometidas na Síria. Segundo dados da publicação, violações de direitos humanos estão sendo cometidas tanto pelo governo como por grupos terroristas – como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil) e a Frente Al-Nusra. Para Pinheiro, é necessário superar o fracasso na diplomacia dos países e deixar os interesses particulares dos estados de lado, pois “as vítimas sírias não merecem menos do que isso”.


 

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