Tânia: a refugiada que perdeu o marido para a intolerância religiosa

por Weston Rayborn (via Mais)

 

Síria

(Foto: Pixabay)

As sombras estão desenhadas na parede e no chão. As câmeras já estão com o foco feito. Todos estão em seus lugares, aguardando. “Áudio foi. Câmera foi. Ação.”. A entrevista começa. Esperando que as perguntas sejam traduzidas para o árabe, Tânia* senta pacientemente em sua cadeira, mas seu olhar de 80 anos é ansioso, lembrando tudo o que viveu. Tânia é muito mais do que uma refugiada de guerra: ela é mãe, avó e viúva. Embora a guerra na Síria tenha começado há 5 anos, ela descreve uma batalha que começou há mais de 50 anos.

Tânia casou-se jovem, com um homem com quem ela cresceu junto. Eles começaram uma família e tudo corria normalmente. Só até o momento em que o marido dela se converteu ao cristianismo. Foi aí que as coisas começaram a mudar. Por causa do entusiasmo e amor por Cristo que seu marido tinha, cada vez mais pessoas na comunidade começaram a perceber essa mudança na família. A maioria das pessoas não recebeu bem a mensagem que o marido de Tânia pregava sobre Cristo na cidade e, então, eles decidiram silenciá-lo.

A essa altura da entrevista, Tânia lembra da injustiça que seu marido sofreu por causa de sua fé em Cristo: “Eles o prenderam sem uma causa justa, acusaram-no de crimes que ele não havia cometido, maltrataram-no na prisão e decretaram sua morte sem mesmo ter um julgamento”. Quando seu marido foi morto, a filha mais nova de Tânia tinha apenas 3 anos de idade. Naquele dia, 50 anos atrás, ela ficou viúva e seus cinco filhos ficaram órfãos de pai.

Hoje, Tânia e a filha mais nova estão no Brasil, salvas e seguras, e vão muito bem, considerando as circunstâncias. Apesar de terem ficado a vida inteira na Síria até que a guerra viesse, o conflito forçou-as a deixarem sua cidade natal, Damasco. Quase todas as vezes que a filha fala sobre a Síria, ela pede para lembrar de orar pelo país. Elas ainda têm família em Damasco, local histórico que tem sido um alvo cada vez mais próximo das tropas rebeldes do Estado Islâmico. Mas a esperança delas não está nas circunstâncias, mas em Deus, e somente nEle, como pode ser visto claramente enquanto elas falam sobre suas vidas.

* Nome fictício.
* Imagem ilustrativa.

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Esta é uma das histórias colhidas pela Missão em Apoio à Igreja Sofredora em entrevistas feitas com sírios que estão refugiados no Brasil. As histórias farão parte de um documentário que está em fase de produção.


 

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