Mais de 300 mil pessoas já morreram em conflitos na Síria

Por Abner Faustino

Mais de 300 mil pessoas já morreram em conflitos na Síria

Crianças participam de protestos contra o governo de Bassar al-Assad.

De acordo com dados do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) divulgados nesta terça-feira (13), 301.781 pessoas já morreram na Guerra Civil na Síria, iniciada em 2011. Ainda segundo o levantamento do OSDH, 86.692 civis morreram por causa do conflito, dos quais 15.099 eram menores de idade.

Um cessar-fogo foi anunciado por Estados Unidos e Rússia, que começou a valer a partir dessa segunda-feira (12). Enquanto os norte-americanos apoiam os rebeldes, os russos dão suporte para o presidente Bashar al Assad. Os objetivos do cessar-fogo são realizar um acordo entre o presidente sírio e os rebeldes da oposição e também permitir que ajudas médica e alimentícia cheguem à população da Síria.

Entenda a guerra

Para entender a já chamada “mini Guerra Mundial” que acontece na Síria, é necessário voltar a janeiro de 2011, na Tunísia. Uma multidão protestava nas ruas de Túnis, capital do país, contra o governo de Zine El Abidine Ben Ali, que estava à frente do país desde 1987. A pressão popular fez com que o presidente renunciasse ao seu cargo. Isso gerou um grande movimento no mundo árabe, a chamada Primavera Árabe.

Pessoas de vários países árabes foram às ruas contra regimes de seus presidentes. Na Líbia, o ditador Muammar Kadhafi foi morto em outubro de 2011 por combatentes rebeldes. Ele estava no comando do país há 42 anos. No Egito, o ditador Hosni Mubarak disse que não iria se candidatar mais. Mubarak ficou 30 anos à frente do Egito. O seu sucessor, Mohamed Morsi, foi eleito em 2012, mas deposto em 2013. No Iêmen, os manifestantes conseguiram a derrubada do então presidente Ali Abdullah Saleh, que estava no poder desde 1978. Ocorreram protestos também na Argélia, Bahrein, Jordânia, Marrocos e Omã.

Na Síria, os protestos tomaram uma dimensão maior. O presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 16 anos – sendo sucessor de seu pai, Hafez al-Assad, que ficou no poder de 1971 a 2000 -, não pretende renunciar seu cargo e respondeu aos manifestantes com opressão e repressão.

A Organização das Nações Unidas (ONU) faz pressão para pôr fim à ditadura de al-Assad e acabar com os conflitos, mas a intervenção da comunidade internacional está sendo frustrada pela Rússia, que apoia o presidente da Síria – por ter interesses econômicos e políticos com a permanência de Assad – e tem poder de veto no Conselho de Segurança na ONU. Iraque e Irã também apoiam o presidente da Síria.

O presidente dos EUA, Barack Obama, enviou armas para militares rebeldes da Síria, por condenar supostos ataques de Bashar al-Assad utilizando armas químicas em 2013. Arábia Saudita, Líbia e Qatar também auxiliam os rebeldes com armas, veículos e kits médicos.

“Contra tudo e contra todos” está o Estado Islâmico (EI), que anseia a queda de Bassad al-Assad para estabelecer um califado no país, um estado regido conforme as leis islâmicas. Apesar disso, o Estado Islâmico não está junto a outras facções jihadistas. O EI afirma que todos os grupos terroristas devem aceitar a suprema autoridade do Estado Islâmico.


 

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