Guerra civil já matou 10 mil no Iêmen

Por Abner Faustino

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Pelo menos 10 mil pessoas já morreram nos últimos 18 meses no Iêmen em decorrência dos conflitos internos no país, de acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Autoridades e agências humanitárias estimavam que 6 mil pessoas morreriam, mas o número da ONU é 40% maior que o previsto.

O número de vítimas no país deve ser maior. Segundo autoridades, várias pessoas morrem em lugares sem instalações médicas adequadas ou são enterradas sem qualquer registro.

Nessa segunda-feira (29), um homem-bomba matou 71 pessoas e deixou outros 98 feridos, alguns em estado grave, na cidade de Áden, no sul do país. O grupo radicial Estado Islâmico assumiu a autoria do atentado. O ataque ocorreu em um centro de treino militar para jovens recrutas.

Segundo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de 3 milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito no país. “A crise está forçando muitas pessoas a deixarem suas casas em busca de segurança”, disse Ita Schuette, representante da organização no Iêmen.

O coordenador humanitário da ONU Jamie McGoldrick disse que 14 milhões dos 26 milhões de habitantes do país precisam de ajuda alimentar e 7 milhões estão sofrendo de insegurança alimentar.

Entenda o conflito

O conflito no país acontece há mais de 10 anos, mas em 2015 se intensificou. O governo do presidente Abd-Rabbou Mansour Hadi está sendo perseguido por rebeldes xiitas Houthis, grupo formado em 2004 pelo militante e líder religioso Hussein Badreddin al-Houthi, morto no mesmo ano.

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Homens pedem o fim do conflito. “Pare o genocídio em meu povo”.
(Foto: Stop your genocide banner via photopin (license))

A crise no Iêmen acentuou-se com a expansão das áreas de controle dos houthis. Em fevereiro de 2015, a capital do Iêmen, Sanaa, foi tomada pelos houthis, obrigando o presidente Hadi a buscar exílio. O presidente e vários ministros fugiram, deixando o país sem uma liderança clara. O país estava dividido e cada região era controlada por milícias locais. Em meio ao caos, terroristas ligados à Al-Qaeda começaram a expandir suas influências no país. Em março, com os houthis avançando, o presidente Hadi decidiu fugir do seu esconderijo, na cidade de Áden, para uma base aérea na Arábia Saudita. Uma coligação liderada pela Arábia Saudita tem bombardeado o Iêmen desde então em apoio a Hadi. A partir de então, o conflito, que era estritamente doméstico, ganhou uma dimensão internacional.

O presidente Hadi acusa o Irã de apoiar militarmente os ataques dos houthis, apesar do Irã negar a acusação. O conflito expõe a histórica rivalidade hegemônica pela região: Arábia Saudita contra o Irã. Os grupos radicais Al-Qaeda e Estado Islâmico, por serem sunitas, contestam o poder dos houthis e, buscando controle de regiões, atacam sistematicamente o país.

Os Estados Unidos reconhecem o governo de Hadi e realiza bombardeios com frequência, geralmente com drones, contra o houthis.

Uma tentativa de paz, realizada no Kuwait pela ONU, foi rechaçada no dia 6 de agosto. Novas tentativas serão feitas pelos Estados Unidos nos próximos meses. Enquanto isso, milhares de pessoas inocentes sofrem com a guerra pelo poder no Iêmen.


 

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