EUA atacam Síria com 59 mísseis e invocam tensão contra Rússia

Por Abner Faustino

EUA atacam Síria com 59 mísseis e invocam tensão contra Rússia

Putin afirma que ofensiva dos EUA na Síria provoca tensões nos lanços entre EUA-Rússia (Fotos: Gage Skidmore e The Global Panorama via photopin)

Os Estados Unidos atacaram uma base aérea síria com 59 mísseis Tomahawk na noite dessa quinta-feira (6), em resposta a um ataque químico que partiu dessa mesma base aérea contra uma região controlada por rebeldes, onde 80 pessoas morreram – entre elas, 27 crianças – na última terça-feira (4). O governo sírio nega a responsabilidade pelo ataque químico.

A agência estatal Sana confirma que nove civis e sete militares morreram no ataque dos EUA, entre elas crianças. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), oposição ao presidente sírio Bashar al-Assad, diz que quatro soldados morreram. O Exército da Síria diz que houve morte de seis pessoas, mas não indicou se eram civis ou militares.

Esse é o primeiro grande ataque do presidente Donald Trump à Síria. A ofensiva também representa uma mudança de comportamento dos Estados Unidos, pois o país, até então, só atacava o grupo radical Estado Islâmico.

“Na terça-feira, o ditador sírio Bashar al-Assad lançou um terrível ataque de armas químicas contra civis inocentes. Usando um agente nervoso mortal, Assad sufocou a vida de homens, mulheres e crianças desamparadas. Eu ordenei um ataque militar direcionado a uma base aérea na Síria, de onde o ataque químico foi lançado”, explicou o presidente Trump. “Hoje (ontem, 6) à noite, pedi a todas as nações civilizadas que se unissem a nós, buscando acabar com o massacre e o derramamento de sangue na Síria, e também para acabar com o terrorismo de todos os tipos e de todos os modos”, completou.

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, criticou e descreveu como “irresponsável” o ataque dos EUA. “Essa agressão intensificou a determinação da Síria para atingir esses agentes terroristas, para continuar a derrotá-los e acelerar a velocidade de ações com esse objetivo onde quer que eles estejam”, disse Assad em comunicado. “Inocentemente convencidos por uma campanha falsa de propaganda”, disse o presidente sírio em referência a acusações de que o governo da Síria seria o responsável pelo ataque químico. O Exército da Síria também criticou a postura norte-americana. “(O ataque) faz dos Estados Unidos um parceiro do Estado Islâmico, da Frente al-Nursa e de outras organizações terroristas que estão atacando posições do exército sírio e bases militares sírias”, disse em comunicado.

O bombardeio dos Estados Unidos à Síria provocou reações de Vladimir Putin, presidente da Rússia. Putin condenou os ataques dos EUA e disse que as relações entre os dois países sofreram um golpe. “O presidente Putin vê os ataques dos EUA na Síria como uma agressão a um Estado soberano que viola as normas da lei internacional e com um pretexto inventado”, disse um comunicado da presidência da Rússia, que, assim como Assad, faz referência às acusações de responsabilidade pelo ataque químico da terça-feira. “Essa medida de Washington irá infligir grandes danos aos laços EUA-Rússia”.

Nesta sexta-feira (7), Putin, que é grande aliado do presidente da Síria, revelou que vai “adotar uma série de medidas o mais rápido possível para reforçar e melhorar a eficácia do sistema de defesa antiaérea das Forças Armadas sírias”, comunicou.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, confirmou que a Rússia foi avisada do ataque à base aérea da síria e disse que o país russo tem sido “cúmplice ou simplesmente incompetente” na tentativa de retirar as armas químicas da posse do Exército sírio.

Luta contra Estado Islâmico se torna mais difícil

O golpe de Trump a Assad pode trazer complicações na guerra ao Estado Islâmico. Especialistas advertem que o ataque de quinta-feira pode ter matado militares da Rússia, pois a presença de russos na Síria é a maior desde o início da Primavera Árabe, em 2011. A morte de militares russos poderia fazer com que Putin tentasse ou fosse forçado a revidar o ataque.

Nos últimos anos, o Exército norte-americano teve livre acesso ao território sírio para poder atacar rebeldes, principalmente o Estado Islâmico. Vladimir Putin já avisou que reforçará o sistema antiaéreo das Forças Armadas da Síria, o que pode provocar impedimentos aos possíveis novos ataques dos Estados Unidos ao Estado Islâmico.


 

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