Em vídeo, radical do EI faz referência a mercado de escravas sexuais: “Hoje é dia de entrega”

Por Izabella Medeiros*

O jornal inglês Daily Mail publicou uma reportagem que mostra de perto o mercado de escravas sexuais do Estado Islâmico (EI). Um vídeo encontrado no celular de um militante revela como funciona a venda de mulheres capturadas pelos fundamentalistas.

Previsto pelo Alcorão na Sura 4.24, a prática é explicitada em tempos de guerra. Eles não podem, contudo, usar muçulmanas para isso. Portanto, atualmente, o leilão entre eles é com prisioneiras cristãs e yazidis, uma minoria religiosa do Curdistão.

A organização não-governamental Humans Rights Watch relata que crianças também são compradas e vendidas como escravas. Segundo o Daily Mail, existe uma espécie de tabela de preços.

Um documento apresentado pelo site IraqiNews mostra que o valor de venda das mulheres e dos despojos de guerra vem sofrendo diminuição significativa. Mas o EI impôs um controle dos preços, ameaçando executar quem viola as diretrizes.

O vídeo compartilhado na internet foi filmado em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, de acordo com a Al Aan TV – que traduziu as falas para o inglês. “Hoje é dia de mercado de escravas sexuais”, afirma diante da câmara um homem barbudo não identificado, cercado por vários outros combatentes. “Hoje é dia da entrega”, acrescenta. “Com a permissão de Alá, cada um de nós terá a sua parte”, garante.

Em pouco mais de dois minutos, eles riem e fazem piadas sobre as mulheres. Embora nenhuma delas seja mostrada, há menções de que muitas têm apenas 15 anos de idade. Quando falam sobre o preço, um deles compara uma moça com o valor de uma pistola Glock usada. Outro diz que o negócio só será fechado depois que ele olhar os dentes da prisioneira.

Assista:

Vendidas por R$ 35

A BBC Brasil publicou uma entrevista, em dezembro de 2014, com duas mulheres que foram brutalmente arrancadas de seus familiares para serem usadas como escravas sexuais aos jihadistas do Estado Islâmico. Uma jovem de 18 anos chegou a afirmar que foi agredida após se recusar a entrar em um carro que levaria ela e outras garotas para Mosul. Outra mulher entrevistada, que conseguiu ser liberada após a família dela pagar fiança de quase R$ 8 mil, afirmou que algumas prisioneiras chegavam a ser vendidas por 15 mil dinares iraquianos (R$ 35).

A entrevista da BBC informou que pelo menos 3.500 mulheres e crianças estariam sob o domínio do grupo autodenominado Estado Islâmico, e que muitas delas têm sido utilizadas como “escravas sexuais”.

O Estado Islâmico

A organização Estado Islâmico (EI) – antes conhecida como Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL) – surgiu como um grupo armado sunita radical contrário ao regime do governo Sírio Bashar al-Assad, em junho de 2014. O líder Abu Bakr al-Baghdadi, hoje comparado a Osama Bin Laden, se aproveitou dos conflitos entre sunitas e xiitas no Iraque e da guerra civil na Síria para unir rebeldes sunitas em comunidades locais e militares do extinto exército de Saddam Hussein. O EI é alimentado pelo ódio aos xiitas, às minorias, aos Estados Unidos e, em menor grau, à Europa.

Com informações de Portas Abertas

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*Estagiária sob supervisão.

 

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