“Ele tirou tudo de mim. Eu me sentia péssima e suja”, diz britânica sobre os 13 anos que passou sofrendo abusos e maus-tratos

Por Wallyson Teles
Com informações da BBC

“Ele tirou tudo de mim. Eu me sentia péssima e suja”, diz britânica sobre os 13 anos que passou sofrendo abusos e maus-tratos

(Foto: Divulgação)

Em 1987, na época que era garota, Anna Ruston* era rejeitada pelos pais biológicos, e teve uma adolescência conturbada. Aos 15 anos, conheceu Malik, um taxista que a tratava com generosidade, algo que não tinha acontecido em toda a sua vida. Sem desconfiar de nada, Anna recebeu um convite para ir conhecer a casa dele e a sua família, e acabou aceitando. Apesar de o taxista morar com sua mãe, filhos, irmãos e a mulher, Anna virou refém sexual de todos.

A família abusava constantemente da garota e, além disso, sofria maus-tratos e violência física. Malik vendia o corpo da jovem para seus amigos, falando que ela era prostituta. O dinheiro ia para todos os parentes.

Sendo abusada quase que diariamente, Anna acabou tendo quatro filhos, sendo todos adotados por pessoas próximas do taxista. “Nunca me deixaram amamentar, trocar fralda, mudar roupinha. Simplesmente mantinham o bebê longe de mim”, disse em entrevista à BBC.

Por conta da violência que sofreu durante o período em que esteve sequestrada, Anna frequentou diversas vezes o hospital, mas sempre acompanhada de um familiar de Malik. Em nenhum momento eles deixavam ela sozinha com algum médico, já que ela poderia relatar o que sofria, sendo assim, a jovem só balançava a cabeça quando o doutor perguntava sobre as dores.

“Eu torcia para alguém sair da sala para eu poder dizer ao médico: preciso de ajuda, estou em cativeiro, tenho que sair. Mas eles nunca saíam do meu lado”, lembrou.

O pior ainda estava por vir. O taxista disse para Anna que ela viajaria com a família dele para o Paquistão. Sem pensar duas vezes, a garota pensou em suicidar ou escapar de alguma forma. “Quando ele disse isso, pensei que só tinham duas saídas: me matar ou fugir. Eu sabia que não estava indo para uma festa e achava que provavelmente eles iam me apedrejar até a morte”, falou Anna.

Assim que descobriu da viagem, Anna procurou dizer para alguém sobre o sofrimento que passava. Foi quando escreveu um bilhete e entregou para uma assistente social que foi visitar seu último filho. Sabendo do caso, ela procurou ajudar a jovem.

Enquanto os familiares de Malik oravam para as preces de Ramadã, mês considerado sagrado para os muçulmanos, a garota conseguiu a fuga. “Eles rezavam no quarto ao lado e eu vi que a chave estava na porta. Desci, abri a porta, senti o ar fresco e corri, corri muito até o carro da assistente social, que esperava na esquina”, recordou.

No momento que conseguiu escapar, Anna foi interrogada pela polícia, mas disse que não ajudaria aquele sujeito de nenhuma forma. “Ele tirou tudo de mim. Eu me sentia péssima, suja. Espero que as pessoas não me julguem e que seja feita justiça por tudo o que esse homem me fez passar”, finalizou.

Hoje, Anna possui 44 anos e escreveu um livro relatando sua história de terror. Na obra, intitulada “Secret Slave “(Escrava Secreta, em português), ela conta detalhes dos 13 anos que passou sequestrada.

*Nome fictício


 

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