Cristãos egípcios protestam contra terrorismo: “Nosso sangue será remido na cruz”

Por Abner Faustino

Cristãos egípcios protestam contra terrorismo: "Nosso sangue será remido na cruz"

Cristãos protestam após atentados (Foto: Reprodução/Al Jazeera)

Dois dias após os atentados terroristas contra duas igrejas cristãs coptas no Egito, realizados pelo grupo radical Estado Islâmico, que deixaram cerca de 45 pessoas mortas e mais de 100 feridas, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra o terror islâmico, contra as ações do governo e para pedir a renúncia do ministro do Interior.

Os cristãos coptas, que representam cerca de 10% dos 92 milhões de habitantes do Egito, foram alvo da maior perseguição e preconceito desde o fim do regime de Hosni Mubarak, em 2011.

Nos protestos, os cristãos coptas gritavam a todo momento: “O seu terrorismo nos une”. E também diziam: “A minha alma e meu sangue serão remidos na cruz”, relata a emissora de TV Al-Jazeera.

Muçulmanos espalhados pelo país também prestaram solidariedade aos cristãos mortos e feridos nos ataques. Várias mesquitas serviram como postos de doação de sangue para os hospitalizados.

Em entrevista à CNN, um cristão identificado como Peter Kamel contou que estava prestes a sair de casa para comemorar o Domingo de Ramos na igreja, em Tanta. “O bombardeio foi tão alto que até as pessoas que moram longe puderam escutar”, disse. “Tudo foi destruído dentro da igreja”, completou.

Kamel relatou que, ao chegar ao local, constatou o resultado do terror radical. Ele pôde ver um par de sapatos em uma pilha de escombros, marcas de sangue nos quadros e no altar da igreja. Kamel também descreve que viu os corpos das vítimas, muitos deles queimados.

Outro que viu o terror de perto foi Mina Abdel Malak. Ele estava na rua da igreja quando ouviu a explosão. “Foi horrível, sangue e partes do corpo em todos os lugares”, disse à CNN. “Pessoas do outro lado da rua sentiram a explosão sacudindo seus carros”. Mina perdeu um primo no atentado e reclamou das autoridades locais. “Isso não deveria ter acontecido. Esta é a nossa festa e supunha-se que haveria medidas de segurança estritas”.

À CNN, Fadi Sami, de 26 anos, relatou as cenas de horror do último domingo. “Eu vi um homem reunir o que restou de seu filho em um saco”, relatou.


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