[Egito] Confrontos resultam na destruição de igrejas

Igrejas são incendiadas no EgitoUm confronto entre militares e seguidores do presidente deposto no Egito, Mohamed Mursi, deixou dezenas de mortos na manhã da última quarta-feira (14), no Cairo. Os confrontos começaram no início do dia e, à tarde, o vice-presidente, Mohamed El Baradei, renunciou ao cargo. Em meio à onda de protestos, grupos supostamente aliados ao presidente queimaram pelo menos três igrejas em cidades do interior do país. Enquanto o Ministério da Saúde fala em 15 mortos e 200 feridos, a Irmandade Muçulmana, partido de Mursi, relata mais de 200 mortes.

De acordo com a agência de notícias estatal Mena, os manifestantes que atacaram as igrejas no interior do Egito usaram coquetéis molotov contra as congregações na Província de Minya e um templo na cidade de Sohag, ambas ao sul do Cairo. A região é uma das que têm a maior comunidade cristã no país, que é majoritariamente islâmico. Os cristãos, conhecidos no país como “coptas”, foram os principais apoiadores da retirada de Mursi do poder, em 3 de julho, após uma operação militar.

Algumas comunicações no Cairo foram cortadas, assim como as estradas em Alexandria bloqueadas. A situação permanece confusa. Em um anúncio feito na TV estatal, o governo do Egito anunciou estado de emergência por um mês, iniciando às 16h locais (11h em Brasília).

Cristãos em meio ao fogo cruzado

Bandeira EgitoUma publicação divulgada no site da Missão Portas Abertas traz o relato de um líder cristão egípcio, que não foi identificado, sobre os últimos acontecimentos no país e a situação dos cristãos em meio à crise.

Confira um trecho:

“Em Minya, simpatizantes da Irmandade Muçulmana alojaram-se em uma rua da vila e abriram fogo contra uma loja/casa cristã ao longo da noite, até destruir toda a construção. Nenhuma força policial ou militar estava presente; não havia ninguém para oferecer ajuda ou fornecer proteção.

Liguei para um amigo meu, em Minya, e ele me disse que, em determinada aldeia, a Irmandade Muçulmana proibiu as mulheres cristãs de andarem nas ruas; se fossem pegas violando a ordem, seriam mortas. Algumas muçulmanas têm ajudado suas vizinhas cristãs indo ao supermercado para elas, a fim de que não corram risco ao sair de casa. Em uma empresa, colegas muçulmanas tiveram de emprestar véus para encobrir suas amigas cristãs a fim de levá-las às escondidas para casa.

Em outra aldeia, um cristão que estava defendendo sua igreja foi morto. Eu não posso expressar em palavras a maneira que ele foi assassinado e o que foi feito com o seu corpo! Em outro lugar da cidade, radicais destruíram uma igreja e festejaram com seus companheiros o ato de incendiar o templo.

Um cristão que eu conheço mora bem próximo a um dos dois locais onde partidários da Irmandade Muçulmana acamparam ao longo dos últimos 45 dias. Ele me contou sobre uma experiência que teve ontem. Após os manifestantes terem sido forçados a deixar o lugar, ele voltou para verificar seu apartamento, que havia abandonado durante os 45 dias. Andando pelo bairro, ele viu muitos homens e mulheres confusos, que falavam entre si acerca da vitória da Irmandade Muçulmana sobre o ‘inimigo’ e louvavam a sua liderança por isso. Ele me contou:

‘Eu tentei odiá-los. Afinal, eles são a causa de destruição do meu país. Mas, movido por um poder divino, eu entrei na loja de um partidário da Irmandade Muçulmana, localizada no meu prédio. Comprei várias caixas de garrafas de água e, em lágrimas, distribuí as garrafas de um homem ao outro, de uma mulher a outra, até que todos vieram em minha direção e saciaram sua sede. Eles não passam de pessoas que precisam do amor de Cristo assim como todos nós. Não posso odiá-los, mas sim ajudá-los’, concluiu”.

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Fonte: Portas Abertas
Adaptação: Redação REDE SUPER
Foto: Portas Abertas

 


 

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