Cerca de 70 crianças morrem em atentado contra refugiados na Síria

Cerca de 70 crianças morrem em atentado contra refugiados na Síria

Foto: Youtube/Reprodução

Uma explosão de um carro-bomba contra um comboio de ônibus nos arredores de Aleppo, no norte da Síria, deixou 126 pessoas mortas, entre elas, 68 crianças, informou o grupo monitor Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH). Os veículos transportavam sírios retirados de locais dominados por grupos rebeldes, como parte de um acordo entre governo e militantes extremistas.

Por volta das 15h30 (horário local), a explosão aconteceu em um posto de controle. Os mortos eram, em maioria, habitantes das vilas de al-Foua e Kefraya, na província de Idlib, no noroeste do país, mas incluíam militantes de grupos radicais que realizavam a segurança do comboio, revelou o Observatório. O OSDH diz que o número de mortos deve aumentar.

Os moradores das duas vilas, que em sua maioria são muçulmanos xiitas, vivem em território das forças jihadistas sunitas vinculadas à al-Qaeda desde março de 2015. O acordo de evacuação desses locais foi liderado por Catar e Irã com o objetivo de aliviar o sofrimento dos povos que viviam nessas áreas.

O governo sírio atribuiu o atentado aos grupos extremistas e rebeldes. Mas o grupo radical Ahrar al Sham negou qualquer envolvimento de forças armadas rebeldes com o ataque.

Mais de 7 mil pessoas foram retiradas de quatro localidades na sexta-feira (14) e no sábado (15). Cerca de 5 mil pessoas de al-Fua e Kafraya chegaram a Aleppo (região controlada pelo governo). Pelo menos 2.200 foram evacuadas de Madaya e Zabadani e chegaram a Idlib (região controlada pelos rebeldes).

Entenda a guerra

Para entender a já chamada “mini-Guerra Mundial” que acontece na Síria, é necessário voltar a janeiro de 2011, na Tunísia. Uma multidão protestava nas ruas de Túnis, capital do país, contra o governo de Zine El Abidine Ben Ali, que estava à frente do país desde 1987. A pressão popular fez com que o presidente renunciasse ao seu cargo. Isso gerou um grande movimento no mundo árabe, a chamada Primavera Árabe.

Pessoas de vários países árabes foram às ruas contra regimes de seus presidentes. Na Líbia, o ditador Muammar Kadhafi foi morto em outubro de 2011 por combatentes rebeldes. Ele estava no comando do país há 42 anos. No Egito, o ditador Hosni Mubarak disse que não iria se candidatar mais. Mubarak ficou 30 anos à frente do Egito. O seu sucessor, Mohamed Morsi, foi eleito em 2012, mas deposto em 2013. No Iêmen, os manifestantes conseguiram a derrubada do então presidente Ali Abdullah Saleh, que estava no poder desde 1978. Ocorreram protestos também na Argélia, Bahrein, Jordânia, Marrocos e Omã.

Na Síria, os protestos tomaram uma dimensão maior. O presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 16 anos – sendo sucessor de seu pai, Hafez al-Assad, que ficou no poder de 1971 a 2000 -, não pretende renunciar a seu cargo e respondeu aos manifestantes com opressão e repressão. De acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos, o conflito no país já deixou mais de 320 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados. A guerra síria tomou dimensão global com a entrada de vários países e grupos extremistas.


 

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