Bispo arrecada 11 milhões de dólares para libertar cristãos do Estado Islâmico

Por Abner Faustino
Com informações da agência Associated Press

De dólar em dólar, de euro em euro. Foi assim que um bispo cristão conseguiu resgatar 226 membros de sua congregação no Iraque. O dinheiro veio de doações de todo o mundo. O destino final: contas bancárias do Estado Islâmico (EI).

O bispo trabalhou secretamente na Síria para comprar a liberdade dos cristãos assírios, que foram sequestrados no vale do rio Khabur, no norte da Síria. Em fevereiro de 2015, combatentes atacaram de uma vez só 35 povoados cristãos, levando a cativeiro centenas de pessoas. No dia seguinte, os extremistas levaram os cristãos de volta aos povoados para destruírem todos os sinais de cristianismo.

Pagar resgates é ilegal nos Estados Unidos e em grande parte dos países ocidentais. A ideia de oferecer dinheiro para a milícia causou dilemas morais. “Sob o ponto de vista moral, eu entendo. Se nós damos dinheiro a eles, estamos apenas os alimentando. E eles vão usar esse dinheiro para matar”, disse Aneki Nissan, que ajudou a arrecadar fundos no Canadá, à agência Associated Press (AP). “Temos que ajudar uns aos outros”.

O Estado Islâmico cobrou US$ 50 mil por pessoa, o que representava um total de US$ 11 milhões, mais de R$ 37 milhões por todos os reféns. Em 26 de maio de 2015, foram libertadas duas mulheres. O primeiro homem foi liberado em 16 de junho do mesmo ano. Em 11 de agosto, mais 22 cristãos foram soltos pelo grupo terrorista. A partir de setembro, as libertações passaram a acontecer com intervalos semanais. O último liberado saiu em 22 de fevereiro de 2016.

Em setembro de 2015, o Estado Islâmico gravou o assassinato de três reféns, o que motivou os fiéis a doarem dinheiro para a libertação dos outros cristãos. “Quando isso aconteceu, todo mundo ficou louco e o dinheiro começou a voar de todas as partes”, disse o cineasta Sargon Saadi, que foi ao vale do rio Khabur e encontrou o lugar deserto, à agência AP.


 

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