Apedrejamento e privação de bens: a vida de cristãos no Afeganistão

Por Abner Faustino

Afeganistão convive com ameaças de diversos grupos terroristas (Foto: Pixabay)

Afeganistão convive com ameaças de diversos grupos terroristas (Foto: Pixabay)

Com uma porcentagem de apenas 0,1% de cristãos e apenas 0,03% de evangélicos, o Afeganistão é, em todo planeta, um dos países mais difíceis para um cristão viver. De acordo com a Classificação da Perseguição Religiosa, da Missão Portas Abertas, o país é o terceiro que mais persegue cristãos em todo mundo, atrás apenas da Coreia do Norte e Somália.

O islamismo tem a maioria de fieis no país: cerca de 99,8% da população afegã é fiel ao islã. Quando um homem acima de 18 anos e uma mulher acima de 16 anos decidem se converter ao cristianismo, eles têm apenas três dias para voltar atrás ou podem ser apedrejados, ter os bens e posses confiscados e, ainda, ter o casamento anulado. A conversão de um muçulmano a qualquer religião é considerada uma apostasia; com isso, o novo convertido é acusado de blasfêmia, sendo punido com a morte, de acordo com interpretações da lei islâmica no Afeganistão. Essa é uma das grandes dificuldades para o Evangelho criar fortes raízes no país.

Ameaça do terrorismo

Com origem no sudoeste do Afeganistão, em 1995, o Talibã foi logo chegando ao poder do país. Em 1998, o grupo radical islâmico já controlava cerca de 90% do território afegão. O grupo foi responsabilizado pelo acesso ao poder de Osama Bin Laden, fundador da al-Qaeda, grupo radical responsável pelos atentados às torres gêmeas, em Nova York, em 2001.

Logo após o 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos fizeram grande operação pra abater o poder do Talibã no país. Apesar da queda do grupo terrorista, os governos afegãos seguintes não conseguiram acabar (ou enfraquecer) os outros extremistas. A violência e a perseguição aos cristãos ainda fazem parte da história da Igreja no país.

Apenas 0,03% da população afegã é evangélica (Foto: Pixabay)

Apenas 0,03% da população afegã é evangélica (Foto: Pixabay)

Os missionários que trabalham no Afeganistão e novos convertidos precisam viver no anonimato para não chamarem a atenção sobre a fé que professam. O governo do presidente Ashraf Ghani procura a paz com o Talibã, mas o grupo radical pede que nomes de seus líderes sejam retirados da lista negra da Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com informações da BBC. Embora a lista negra seja mantida pela ONU, a decisão sobre quem está nela é, em última instância, do presidente dos Estados Unidos, agora Donald Trump. “O acordo de paz entre a liderança da nação e o Talibã ainda é um desejo que arde nos corações de todos os cidadãos do Afeganistão, e ainda mais nos corações daqueles que seguem a Cristo e que vivem sob um clima tenso e hostil”, relata a Missão Portas Abertas.

A Igreja no Afeganistão ainda vive no subterrâneo. Muitos ex-muçulmanos são pressionados pela família, pela sociedade e também pelas leis do país. De acordo com a Portas Abertas, muitos convertidos à fé cristã foram mortos após assumirem a nova religião. Outros foram encaminhados para clínicas psiquiátricas.

O crescimento da igreja afegã é incentivado por programas de TV e rádio de outros países. Manter a Bíblia e ou qualquer tipo de literatura cristã em casa é praticamente impossível. Aparelhos eletrônicos são alternativas para o cristão meditar na Palavra, mas tudo feito com extremo sigilo.


 

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