25% das mulheres evangélicas já abortaram no Brasil, revela pesquisa

Por Abner Faustino

25% das mulheres evangélicas já abortaram no Brasil, revela pesquisa

Número representa 1,17 milhão de protestantes. Instituto de Bioética (Anis) entrevistou mais de 2 mil mulheres de 18 a 39 anos (Foto: Pixabay)

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Bioética (Anis) revelou que 25% das mulheres evangélicas de até 39 anos já realizaram aborto ao menos uma vez na vida. A pesquisa ouviu mais de 2 mil mulheres entre 18 e 39 anos em todo o país. De acordo com o estudo, 501 mil mulheres abortaram no Brasil em 2015.

Considerando toda a população feminina do país dessa faixa etária, 4,7 milhões de mulheres já fizeram aborto ao menos uma vez na vida. Isso revela que 1,17 milhão de mulheres evangélicas já abortaram. O Anis revelou que, entre mulheres católicas, 56% declararam já ter abortado.

Em 52% dos registros, o método de aborto mais procurado pelas mulheres foi a ingestão de medicamentos. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, a antropóloga Débora Diniz citou duas hipóteses para essa escolha. “Cada vez menos elas procuram as clínicas clandestinas e os serviços de saúde para terminar o aborto. Ou o uso dos medicamentos está sendo suficiente para elas abortarem em casa ou as mulheres estão com medo dos médicos e de uma possível denúncia policial”, avaliou.

A antropóloga também revela o perfil de idade das mulheres que abortam. “A mulher que faz aborto não é aquela que imaginamos, que é uma menina inconsequente. Ela sabe o que está fazendo”. Cerca de 67% das mulheres que abortaram já tinham filhos e não têm uma classe social definida. “Todas as classes sociais abortam igualmente”, disse a antropóloga. As idades que mais abortam estão entre 20 e 24 anos.

No fim de novembro, o papa Francisco, líder da Igreja católica, autorizou os padres a perdoarem as mulheres que tenham feito aborto. Na terça-feira (29), o Supremo Tribunal Federal abriu uma nova jurisprudência e não viu crime na prática de um aborto realizado antes dos três primeiros meses de gestação.

De acordo com o criminalista Paulo Freitas, a decisão só vale para o caso que for julgado, mas a escolha do STF deve influenciar outros juízes na decisão de julgar o aborto. “Se essa decisão em outros casos for levada ao Supremo e se repetir, e se outros ministros do Supremo tomarem a mesma decisão, aí sim haverá uma tendência firmada neste sentido”, disse Freitas, também em entrevista ao Fantástico.


 

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