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A vida de Susie Valadão Vasconcelos

O pastor Kaiser Vasconcelos, viúvo da pastora Susie Valadão Vasconcelos, divulgou, na manhã desta quinta-feira (14), as últimas fotos de sua “princesa guerreira”, como ele gostava de chamar a esposa.

Susie Valadão Vasconcelos

“Vejam como o seu rostinho estava cheio de paz e alegria ao lado da primogênita e da mamãe. Assim era o seu estilo de vida. Murmuração ou reclamação nunca fizeram parte de sua história. A alegria do Senhor sempre foi a sua força”, declarou.

Nascimento e infância

Belo-horizontina de coração, a pastora e missionária Susie Valadão Vasconcelos nasceu no dia 28 de junho de 1970, na cidade de Mineiros (GO). O parto foi realizado pelo pai, Paulo Cintra, que, naquela época, era médico do Hospital Samaritano.

A pastora Susie era a neta primogênita da família Valadão e todos que a conheceram percebiam o quanto ela era amada. Junto com seu irmão, o cirurgião dentista Paulo Sérgio, Susie aprendeu desde muito cedo os princípios da Bíblia, valores que levou por toda a vida.

A família conta que Susie sempre foi uma criança obediente e muito carinhosa, cheia de dons e talentos para cantar, compor, falar em público e ensinar (principalmente crianças). Ainda menina, Susie compartilhava lindas experiências com Deus.

Pastora Ângela e Susie Valadão

Primeiro diagnóstico e testemunho de cura

Com apenas 7 anos de idade, Susie recebeu o diagnóstico de Leucemia, uma doença maligna originada na medula óssea, local onde as células do sangue são produzidas. Contudo, ela foi curada de uma maneira surpreendente. Susie contou com a oração de familiares e amigos mais íntimos, que criam no poder de Deus para trazer-lhe a cura.

Além disso, outro fato marcante aconteceu na vida de Susie. Ela tinha o tipo sanguíneo “O Rh positivo” e, a partir de então, de maneira sobrenatural, o seu sangue se tornou “O Rh negativo”.

Susie Valadao Vasconcelos

Vocação e ministério

Susie entregou sua vida a Cristo aos 4 anos e, aos 9, respondeu a um chamado missionário. Assim, a partir dos 12 anos, começou a viajar pelo Brasil, cantando e se apresentando em teatros e jograis em igrejas e praças, levando a mensagem de salvação aos grandes e pequenos, trazendo transformação nas vidas, entrando nas casas mais humildes.

Na adolescência, era integrante da banda “Sal da Terra”. Junto com seus amigos, Susie cantou durante muito tempo em congressos e acampamentos para jovens. Algumas das canções compostas por ela foram ensinadas aos adolescentes da Igreja Batista da Lagoinha e uma delas foi gravada pela banda da Igreja Batista Central de Belo Horizonte, a canção “Usa-me”.

Susie também sempre foi uma excelente aluna, responsável, destacando-se em todos os anos de estudo. Formou-se em psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e, durante 15 anos, dedicou-se a atender crianças, jovens e famílias em seu consultório.

Nos tempos de universitária, Susie aceitou o desafio de organizar o serviço de Assistência Social da Igreja Batista da Lagoinha (IBL). Na mesma época, junto com o então noivo Kaiser Vasconcelos, dedicou-se ao ensino dos juniores da igreja. Em seguida, assumiram os adolescentes da UNIJOVEM e a liderança da Rede dos Adolescentes da IBL, onde foram pastores por 20 anos, entre 1988 e 2008.

Em julho de 2007, Susie trouxe a luz um trabalho Internacional com as crianças: surgira o ministério “Gideões Mirins”. As crianças também queriam orar como seus pais e Susie montou a estratégia de preparar intercessores infantis, de 7 a 12 anos, que teriam uniforme, formação militar, lei, lema e promessa, com 10 mandamentos para serem seguidos e respeitados. Sua lei: “O gideão mirim é um intercessor pelas crianças do mundo, preparando a igreja para a volta de Jesus!”

Atualmente, o ministério está em 15 países: África do Sul, Angola, Argentina, Brasil, Burundi, Chile, Congo, Estados Unidos, Moçambique, Kenya, Ruanda, Tanzânia, Uganda, Uruguai, Venezuela.

Em dezembro de 2008, a pastora Susie partia para a África do Sul, na cidade de Durban. Junto com o esposo e as 3 filhas, ela estudou inglês e se dedicou aos trabalhos missionários. Ali a família permaneceu por três anos, onde também plantaram uma igreja com os refugiados do Congo, a Worship Center Church.

Prepararam o pastor Munga para assumir o pastorado da igreja e o pastor Kitcha Malimbuko para levar ao seu país a estratégia do Ministério 24 Horas Diante do Senhor, levantando torres de oração sem cessar nas mais diversas denominações evangélicas.

A vida de Susie Valadão Vasconcelos

Consagração como pastora e dedicação ao Ministério

No dia 4 de Junho de 2004, aconteceu um fato histórico para a família Cintra: Susie e seus pais, Paulo Cinta e Ângela Valadão Cintra, foram consagrados como pastores na Igreja Batista da Lagoinha.

Receber o título de pastora foi apenas um reconhecimento de seu trabalho junto às crianças, adolescentes, jovens, e famílias da Lagoinha. Susie amava pessoas, em cada abraço recebido pelos familiares, no culto de despedida, sempre havia uma palavra de gratidão e histórias lindas.

Susie também formou o grupo “Anônimos de Cristo” para levar o amor de Deus a moradores de rua, debaixo dos viadutos, aos necessitados em bairros carentes e às cidades do interior, através de cestas básicas e da Palavra de salvação, além de muito amor.

Susie Vasconcelos e Gideões Mirins

Casamento e família

Em março de 1987, Susie conheceu seu esposo, Kaiser Vasconcelos, em um acampamento para jovens da Lagoinha, depois de ser apresentada a ele pelo irmão, Paulo Sérgio. Dois meses depois, em maio, Kaiser conversou com os pais dela, e, após duas semanas, eles começaram a namorar. Uma curiosidade é que Kaiser pegou nas mãos de Susie somente três meses depois do início do namoro.

Em fevereiro de 1988, ambos começaram a liderar os juniores da Lagoinha e, em maio do mesmo ano, ficaram noivos. O casamento foi em setembro de 1990, na igreja. Em junho de 1995, nasceu a filha primogênita do casal, Hadassa Elise. Em dezembro de 1997, Susie deu à luz Rahissa. E, em novembro de 1999, nasceu a terceira filha, Sanny Mércia. Em setembro de 2015, Susie e Kaiser comemoraram 25 anos de casados.

Susie sempre foi uma mãe presente, sábia, amiga, orientando as filhas no dia a dia e acompanhando-as nos estudos, nos relacionamentos, na vida com Deus. Como esposa, sempre meiga e honrando o esposo, acompanhando-o, até o último instante, em pregações, casamentos, e comemorações. Em seu último dia, antes de ser internada no hospital, Susie acompanhou Kaiser na passagem de ano no Acampamento da MPC. Ela ceou com os irmãos mesmo sentindo algum mal estar. Colocava Deus como prioridade em sua vida. Contemplava a família como dádiva do Senhor e a cuidou com todas as forças e muita oração, buscando que tivessem, juntos, todos os dias, um momento de reflexão na Palavra de Deus e oração.

Pastor Kaiser Vasconcelos

Pastora Susie e Família

Como Susie era em família

Susie sempre foi carinhosa, meiga, prestativa, amiga e alegrava qualquer ambiente. Com muita sabedoria e meiguice, ela trazia palavras marcantes e se identificava com os sofridos e necessitados, ajudando com a psicologia até mesmo durante os momentos mais delicados, em que a enfermidade a limitava.

Ela também sonhava com missões, amava as nações, desejava se doar totalmente para que o mundo conhecesse o amor de Deus, e que as igrejas cristãs, em toda a terra, pudessem cumprir o seu chamado de amor.

Aos seus pais, ela soube honrar durante toda a vida, dando-lhes presentes que ela nem mesmo tinha. Ao irmão, cunhados, sobrinhos, primos, tios, avós, ela sempre demonstrou amor, respeito, honra e carinho. Buscava manter os laços de família com chás, almoços, churrascos e momentos especiais em sua casa. Nunca deixou de comemorar uma data sequer da família, queria todos perto e unidos.

Família de Susie Valadão

Hobbies

Susie amava o artesanato: pintar, desenhar e fazer biscuit. Gostava de fazer cursos, mas sempre pensando em ensinar na África, aos Gideões Mirins, em fazer artefatos para arrecadar fundos para missões.

Amava estar com a família na praia, andar a cavalo na fazenda. Em sua última cavalgada, com toda a família (irmão, cunhada, mãe, filhas e sobrinhos), numa noite de lua cheia e céu estrelado, caminharam por umas 2 horas com cânticos de adoração ao Senhor, entrecortados de orações que Susie fazia, em gratidão a Deus e louvor por sua bondade. Lembranças inesquecíveis de sua companhia e pureza.

Ela era uma hábil contadora de histórias. Sabia tomar textos difíceis da Palavra de Deus e trazê-los de maneira simples para o alcance das crianças.

A partida

Susie foi para os braços do Senhor às 15h30 do dia 2 de janeiro de 2016. Não foi o câncer que a derrotou, pois havia oração constante por ela e pedidos ao Pai Celeste que a livrasse da dor e do sofrimento desta enfermidade. Susie foi acometida por uma infecção bacteriana grave em sua corrente sanguínea e teve total assistência médica e da família em seu último dia.

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Ela estava se sentindo bem e planejando estar com a família na praia durante o mês de janeiro. Passou a semana do Natal até a véspera do Ano Novo com a família. Havia terminado de ler o livro de Jó no dia 30 de dezembro de 2015, e refletíamos sobre o tempo de provação e a recompensa após as provas.

Ao ser internada no hospital, Susie teve momentos preciosos com seu esposo, sua mãe e sua filha Hadassa. A paz e a alegria estavam em seus lábios e emanavam de seu coração. Quando veio a notícia médica de que ela tinha poucas horas de vida, a família ali estava, junto aos pastores Márcio e André Valadão, entoando cânticos de adoração e gratidão por mais de três horas. Hadassa orou intercedendo longamente por ela e, enquanto seu corpo recebia carinho de tantas mãos (pais, esposo, filhas, tio, primo, irmão, cunhada), Susie partiu suavemente para o lar do Pai.

Deus permitiu, com detalhes pequenos, que esse momento fosse o mais suave possível para os parentes e amigos poderem lhe dar o último adeus. Depois de passarem as datas importantes de comunhão familiar (Natal e Ano Novo), 2016 começaria para nós, os que ficamos, sem nossa “princesa guerreira”, como Kaiser costumava chamá-la.

Pastora Susie e Kaiser Vasconcelos

 

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